Achei um texto que escrevi na minha primeira semana de aula na faculdade. Haha Adoro esse texto e de lembrar da sensação que eu tive quando aquele semestre começou:
E hoje fez uma semana de aula. Mas ninguém tem vontade de saber o que estou achando das teorias filosóficas desse semestre. Então, já que é para falar de algo que ninguém quer saber, vamos aos detalhes que ninguém quer que o pior inimigo saiba.
Então, é uma semana. Uma semana pegando metrô pseudocheio com gravatinhas e sapatos altos para descer duas ou uma estação antes de você, ou até mesmo na sua.
Uma semana andando em uma rua cheia e barulhenta para chegar ao meu prédio. E, nessa rua, uma semana escutando o mesmo CD e a mesma música evangélica dizendo o quanto Jesus é bom, salvador e espantador de demônios de corpos de homens maus que, caso não haja Sua intervenção, vão pro inferno para lá serem torturados eternamente. (Y) A misericórdia, em toda sua magnitude, me comove.
Uma semana subindo até o terceiro andar numa escada que faz o mesmo barulho que a mais velha porta da mais velha casa da mais velha vila da mais... E isso porque o elevador, mesmo que funcionando, o está fazendo por meios da rede pública. Eu não quero estar lá dentro quando ele entrar em greve, exigindo mais óleo ou algo parecido.
Uma semana vendo as mais bizarras figuras (e coloco aqui como um ponto neutro, considere-o positivo ou não) da face da terra. Como um cara que tem moicano e tatuagens pela cabeça e veste tudo quanto é tipo de roupa de couro e coturnos no centro do Rio, lugar mais fresco ever. Não bom estar perto dele quando agitar aquelas roupas, não bom. Além disso, não costumo confiar em homens que usam mais maquiagem que eu (e ele só usa lápis) assim, no dia a dia.
Uma semana passando por moicanos verdes e amarelos, alargadores como um tipo de lei entre os alunos, piercings em todos os locais (visíveis pela decência, apenas, espero) e tatuagens do símbolo ÔM, flor de lótus e afins. Nada contra, mas esses fatores são como uma regra por lá. É absurda a capacidade que as pessoas tem de serem tão iguais enquanto tentam existir desesperadamente e excessivamente no mundo alheio.
Uma semana escutando aqueles que já foram eleitos no meu top 5 de pós-modernos principais, excêntricos e deliberadamente filosóficos falando em momentos que ninguém quer ouvir, suas próprias teorias aleatórias e completamente desnecessárias.
Uma semana enfrentando filas da xerox, sentindo o cheiro das comidas engorduradas da cantina. Uma semana respirando a fumaça dos milhares de marcas de cigarro que (praticamente TODOS OS ALUNOS) fumam por lá. Uma semana viajando com o cheiro da fantasia que vem do quarta andar, para nos trazer a magia do mundo dos cogumelos. Uma semana ouvindo as frases mais pedreiramente engraçadinhas.
Mas apesar de tudo isso, estou gostando das aulas (lógica clássica não vale, eu não consigo me concentrar num professor que é igual aqueles cientistas loucos de filme que sempre são passados para trás pelo vilão da história).
Arrasou, facul.

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