Sempre tive essa característica. Quando eu me deparava com algo, meu foco nunca era o considerado óbvio por um, até então, senso comum.
Em um filme, meus favoritos nunca eram os mocinhos. Eram os ajudantes retardados ou, geralmente, os vilões mega-ultra galudos. Apesar do Mufasa me fazer chorar em seu leito de morte, o Scar e sua reboladinha na música do mal eram muito mais tr00. E os ajudantes (hienas) eram a melhor parte do filme. Que morra o Superman, as frases do Luthor são as melhores ever. O Duas caras era O cara (seta aponta em brilho rosa: trocadilho ruim).
Os heróis me pareciam muito surreais, perfeitos demais, capazes demais, como ninguém poderia ser na vida real. Eles só existiam para nos lembrar do quanto somos pequenos, fracos, insignificantes e dependentes de alguma proteção. Tornava as características dos vilões um lado mal de um sistema maniqueísta: egoísmo, egocentrismo, o poder e a capacidade de fazer mal a alguém, a submissão às paixões. Descrição do vilão ou da nossa sociedade? Me perdi.
Em uma foto, o belo e grande sorriso do modelo sempre me pareceu secundário. A pessoa lá atrás com a cara engraçada que nem percebeu que saiu na foto (ou percebeu na hora que viu o flash, o que torna apenas mais engraçado) essas sempre chamaram mais atenção. É como se meus olhos já as procurassem.
Aquilo que não prende a atenção de ninguém, aquilo que não se toma sequer como detalhe, tudo aquilo que compõe um ambiente pelo simples fato de existir e estar, e não por “ser notado”, enfim, isso, que muitos consideram desnecessário sempre me atraiu muito mais. Alguns já me dizem que é minha incapacidade de concentração no “certo”. Outros dizem que é minha falta de objetividade.
Eu prefiro acreditar que sou uma detalhista às avessas.
